ALIMENTAR-SE DE AR
É maravilhosa a confiança na falta de apetite dos criadores manifestada quer pelo Estado quer pelas instituições privadas que nos contratam. Para aqueles que invejam esta maravilhosa vida de criador mais ou menos reconhecido, fiquem a saber que a coisa não é bem o que parece. Os pagamentos de direitos e de participações em eventos variados são normalmente tirados a ferro. Nunca são a consequência imediata do nosso trabalho. Pelo contrário, actores, escritores e quejandos são vistos a maior parte do tempo a arrastar-se a pedir o que é deles.
A questão é: se os agentes culturais têm esta atitude de desprezo para com os criadores, como é que se pode esperar que o público os acarinhe sem reservas?
E isto não tem a ver com crise. Tem mais a ver com o facto de as "indústrias culturais" estarem em 3º lugar na contribuição para o PIB e de o Ministério da Cultura lhes atribuir em troca 0.7% do Orçamento Geral do Estado. Haverá discurso mais eloquente que este?
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